Plano de Atividades 2017

Introdução

Na sequência do trabalho iniciado em 2016, para 2017 manteremos o foco na facilitação de conhecimento e ferramentas para que possa existir uma ação mais interventiva para a criação de um sistema alimentar mais equitativo no âmbito social, cultural e ambiental. De forma a alcançar este objetivo, baseamo-nos nos princípios da Soberania Alimentar que utiliza a Agroecologia, como método de trabalhar a terra.

Objetivos Gerais do PA 2017

  • Reconhecer a alimentação (produção e consumo) como ator principal na luta contra as Alterações Climáticas
  • e perca de biodiversidade;
  • Identificar os impactos que a agricultura tem no solo e ciclo da água;
  • Reconhecer a importância de preservar o bem comum;
  • Valorizar a preservação das variedades tradicionais de sementes;
  • Reciclar resíduos orgânicos domésticos;
  • Dinamizar estruturas de proximidade com a comunidade;
  • Afirmar a importância da agricultura para a Economia Local;
  • Utilizar o Solo para o estímulo da curiosidade e da aprendizagem.
  • Valorizar a preservação das variedades tradicionais de sementes;
  • Reivindicar o direito efetivo à alimentação;
  • Promover a produção local e o consumo consciente, recriando tradições agrícolas e gastronómicas locais.
  • Cooperar com as entidades competentes para a implementação de sistemas Alimentares Sustentáveis,
  • saudáveis e equitativos, equilibrando os interesses urbanos e rurais;
  • Facilitar e Promover a utilização de sistemas de informação, código Aberto, como forma para trocar
  • informação entre o mundo rural e urbano.

Para a concretização dos nossos objetivos propomos atuar dentro das seguintes áreas:

Construção de uma paisagem

Desde a sua origem, a agricultura marcou um cunho na paisagem. Tendo por objetivo principal alimentar as pessoas, esta foi sempre o seu princípio e o seu fim. Assim, ao longo dos tempos foram-se desenvolvendo sabedorias milenares na observação, na seleção, na experimentação, na criação e desenvolvimento de técnicas e usos, levando à construção de uma paisagem que reflete esse imaginário emancipatório, capaz de reclamar a autodeterminação face à incerteza. Intencionamos, desta forma, criar laços sócio afetivos entre as pessoas e o espaço agrícola, envolvendo-as no seu próprio processo de mudança para práticas mais sustentáveis de produção e consumo alimentar.

Apadrinhamento de árvores

O P-270 em cooperação com a Quinta do Bell – Agricultura de Consciência, acordou plantar as árvores para serem “apadrinhadas”, permitindo o envolvimento no processo de cultivo e de crescimento de árvores de fruto. O valor de cada árvore inclui o valor dos recursos: Árvore, Solo, Água, Agricultor; Em troca de uma árvore:

  • Conhecimento sobre a espécie escolhida
  • Relação com o espaço agrícola
  • Caldeira para hortícolas e ervas aromáticas e medicinais
  • Bem-estar físico e psicológico
  • Retorno do investimento em fruta

Comunidade Suporte Agrícola

A criação e implementação deste projeto é um dos maiores desafios, pretendemos com ele cultivar na prática o conceito de Soberania Alimentar. Uma comunidade de suporte à agricultura é um modo de gestão da Agricultura, onde todo o processo é partilhado pelo grupo, evitando desta forma que os riscos, inerentes ao cultivo, sejam assumidos somente por quem faz o Cultivo.

Objetivos Gerais

  • Ir ao encontro do mundo rural;
  • Trazer à consciência para uma cadeia de alimentar sustentável e equitativa;
  • Criação de emprego qualificado nas áreas de Agricultura Biológica e noutros sectores adjacentes;
  • Afirmar a importância da agricultura para a Economia Local.

De Resíduo a Recurso

Potenciando a utilização eficiente dos recursos urbanos, onde se inclui o fecho do ciclo dos nutrientes, o desperdício alimentar e os resíduos orgânicos; apresentamos uma fórmula que pretende valorizar a participação do sector agrícola, um dos principais responsáveis pela emissão de GEE’s, na mitigação das Alterações Climáticas. Fazer a compostagem de resíduos orgânicos, não só diminui a quantidade de resíduos para aterro, mas principalmente porque se transforma em adubo natural que melhora a estrutura do solo através da introdução de organismos benéficos que têm a capacidade de passar os nutrientes da parte mineral do solo para as plantas melhorando a sua resistência contra pragas e doenças. Resultando numa ação positiva para a qualidade dos vegetais. O Mercado Municipal de Pinhal Novo produz, semanalmente, uma grande quantidade de resíduos orgânicos que vão para aterro.

Propomos assim, implementar um sistema de recolha de resíduos orgânicos (Legumes, Frutas, Peixe, Borras de Café) a partir deste equipamento Municipal, para que os mesmos possam ser transportados e transformados na área de exploração agrícola, Quinta do BELL – Pinhal Novo.

Mercado de Agricultura Biológica (AB) de Pinhal Novo

Promover um espaço de encontro entre o mundo rural e o citadino. Pela mão de quem os cultivam vêm os produtos frutícolas produzidos em modo biológico no concelho. São apresentados também outros produtos de origem biológica aumentando o leque de ofertas e potenciando outras organizações do sector. Através de ações dinamizadoras pretende-se criar laços com a comunidade, convidando-a a participar neste espaço de convívio degustativo permitindo a partilha de conhecimento e a sensibilização para uma alimentação mais consciente.

Alimentação

Desde que o Homem é Homem que aprendeu a buscar na Natureza do seu alimento – fonte básica de saúde. Uma boa alimentação foi sempre a forma mais natural de prevenir doenças. Era inequívoca a relação permanente do Homem com o ambiente onde estava integrado. O que o Homem consumia era o produto da sua terra, ao sabor das estações do ano, seguindo o ciclo da Natureza. Atualmente, no mundo ocidental, este elo deu lugar a hábitos alimentares disfuncionais que destroem ecossistemas completos provocando alterações climáticas. O atual sistema alimentar não reconhece os direitos da Terra nem dos Seres que nela habitam. Facilitar conhecimento sobre as interligações que compõem o sistema alimentar promove comportamentos mais sustentáveis e responsáveis na altura de fazer opções alimentares. Reconhecer que a alimentação é essencial para o nosso bem-estar; já defendia Hipócrates “Que o alimento seja o teu medicamento” é o principio para restabelecer a relação com a Natureza.

FormaAcção

As formações são uma forma de facilitar conhecimento, competências, valores e atitudes, que permitem uma cidadania ativa e ambientalmente culta. Apresentam-se como estratégia para a transformação de comportamentos, individuais e coletivos, em atos e escolhas mais conscientes das interligações existentes; Pensamento eco sistémico. Como referência, apresenta-se a lista, que temos preparado, podendo as mesmas serem ministradas no espaço agrícola, recinto escolar, espaço público. Os conteúdos podem ser ajustados em função do público a se destinam.

  • Curso de Introdução à Permacultura, Quinta do Bell (12 Hrs)
  • Solo e a agricultura, Quinta do Bell (6 Hrs)
  • Vermicompostagem, Quinta do Bell (6 Hrs)
  • Fogão em COB, Quinta do Bell (12 Hrs), Março a partir 2017
  • Alimentação Macrobiótica, em parceria (3 Hrs)
  • Alimentação para Famílias (3 Hrs)
  • Ementa Climática (3 Hrs)
  • Comércio Justo, em parceria (3 Hrs)
  • Recolha e Preservação de Sementes, em parceria (4 Hrs)
  • Sistemas de Informação (25 Hrs)

Espaço Vivencial em Agroecologia (E.V.A)

Uma forma itinerante, de sensibilizar para o impacto que os nossos comportamentos e hábitos alimentares têm na paisagem.

  • Formações/ Ações de Sensibilização;
  • Recolha de resíduos orgânicos;
  • Promoção de refeições Km 0;

Atividades Comunidade educativa / Infanto-juvenis

Intuindo a criação de laços entre a população e o espaço agrícola, incutindo, desde a tenra idade, um pensamento ecossistémico, pretendemos receber, na Quinta do Bell – Pinhal Novo, turmas do 1o e 2o Ciclo, ou grupos com idades equiparadas. A Quinta do Bell, espaço de 4,5Ha de produção Biológica, localiza-se na Fonte da Vaca – Pinhal Novo, enquadrada numa paisagem rural torna-se o cenário perfeito para vivenciar todo o ecossistema agrícola em equilíbrio com as zonas urbanas. Serão estabelecidas parcerias necessárias para que seja possível desenvolver atividades para o público mais jovem. Estas atividades podem decorrer enquanto período de aulas ou durante as pausas letivas.

Atividades

Sessões práticas em Escola ou na Quinta do Bell, sobre os temas a Horta como Ecossistema, Alimentação e outros temais relacionados.

Um dia na Quinta

Durante um dia ou meio-dia recebemos grupos onde exploramos o ciclo da semente para o prato, e do prato para a minhoca.

Nas férias, Sou Camponês!

A possibilidade de experienciar durante as pausas letivas a vivência de uma quinta de produção agrícola com uma visão mais holística e consciente das interligações existentes entre todos os elementos, sejam estes do reino mineral, vegetal ou animal. Atividade pensada para dois dias, com tarefas e dinâmicas, a título de exemplo: Recolher os ovos da capoeira, Sementeiras, Oficinas sobre Alimentação e Resíduos.

Semear a Liberdade

“A Liberdade das Sementes é o direito que toda e qualquer forma adquire desde nascença e é a base da proteção da biodiversidade; “ (3o Declaração sobre a liberdade das sementes)

Semear a Liberdade pretende interligar ecologia, cultura, economia e sociedade de forma a sustentar a produção agrícola para o desenvolvimento de um sistema alimentar mais sustentáveis. A península de Setúbal tem na sua história grande envolvimento com o sector de agricultura, contendo uma grande diversidade de variedades regionais, das quais muitas se encontram em perigos de extinção, consequência da sua saída do mercado alimentar. Inspirados no catálogo, que resultou de um levantamento feito pela Colher para Semear (https://colherparasemear.files.wordpress.com/2013/05/levantamentoscps.jpg), criámos a intenção de proteger as culturas da extinção, preservando parte da nossa diversidade bio cultural.

Sementeca

A Sementeca é uma biblioteca de Sementes, iniciativa do coletivo Plantei.eu, que interliga as diversas sementecas. O propósito de deixar a Sementeca na Biblioteca Municipal de Pinhal Novo é relembrar que as Sementes são bem comum e que necessitam do cuidado e colaboração de todos. Criar um espólio de variedades regionais e, através de oficinas de capacitação, incentivar modos de produção regenerativos. Ser um recurso pedagógico a ser utilizado para diversas ações em torno dos vários temas adjacentes às sementes dirigidas a vários públicos. Para 2017, em conjunto com a Biblioteca Municipal de Pinhal Novo, está em cima da mesa a proposta para a criação de um grupo dinamizador da Sementeca. Como estratégia serão facilitadas atividades direcionadas para pais e filhos em torno da Sementeca. As sementes pioneiras serão as que foram adquiridas, através de quotas de sócios, de Associações que fazem a preservação de sementes (Colher para Semear e Kokopelli). Para a precursão deste projeto, pode ser relevante o contacto com a Divisão responsável pelos Espaços Verdes, de modo a possibilitar espaços próprios para a germinação e a preservação das sementes guardadas na Sementeca.